Shaping the future of animal health
Portugal

A importância da nutrição no crescimento


O crescimento é uma etapa fundamental na vida dos animais. Bons cuidados e uma correcta alimentação nesta fase da vida são fundamentais para o seu correcto desenvolvimento.


  Aleitamento e desmame  

Durante as primeiras semanas de vida do cão e do gato, estes devem alimentar-se com leite materno. Durante as primeiras 48 a 72 horas pós-parto, a mãe produz o colostro; produto essencial para os animais, já que transporta imunoglobulinas e outros factores bioactivos que vão proteger o recém-nascido das doenças infecciosas. Estes componentes só são absorvidos pelo animal durante as primeiras horas que se seguem ao nascimento.

O leite materno aporta todos os nutrientes que o recém-nascido necessita para o seu desenvolvimento inicial. A composição deste leite vai mudando com o avançar da lactação e pode também modificar-se de acordo com a alimentação da mãe. Em resumo: uma nutrição e maneio correctos da mãe são a chave para o bom desenvolvimento de toda a família.

A partir das 3-4 semanas de idade, podemos começar a introduzir alimentação seca. Produtos específicos para esta etapa, ou comida da mãe humedecida com água tépida são boas opções. Devemos facilitar o acesso das crias à comida, colocando-a num recipiente plano. Devemos, ainda, assegurar que têm sempre alimento fresco, retirando os restos que não são consumidos, várias vezes ao dia. Inicialmente, o consumo de alimento seco é mínimo, mas, aos poucos, vai aumentando e, às 6 semanas, o aporte de alimento é mais importante que o de leite, sendo os animais capazes de ingerir ração seca sem problemas. Por razões comportamentais, recomenda-se permitir a lactação ocasional até às 7 a 8 semanas da idade.
 

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  O crescimento  

O período de crescimento mais rápido; quer do cão, quer do gato, dá-se entre os primeiros 3 a 6 meses de idade. No cão, durante os primeiros 5 meses, espera-se um crescimento de 2 a 4 gramas por kg de peso adulto expectável diário.

Crescimentos demasiado rápidos podem provocar problemas ortopédicos e esqueléticos no animal adulto. Por isso, recomenda-se alimentar o cachorro de forma racional e controlada, sobretudo no caso das raças médias a gigantes.

Já em gatos, um crescimento rápido é menos frequente e não tem consequências tão evidentes. Por este motivo, nos gatos, a alimentação ad libitum pode ser uma boa prática.
Em todo o caso, devemos controlar periodicamente o peso e condição corporal do animal, de modo a assegurar um ritmo de crescimento adequado e uma boa condição corporal (nem demasiado magro, nem demasiado gordo).

No caso dos cães, diferentes raças vão ter diferentes curvas de espessamento e diferentes tempos de maturação/amadurecimento. Assim como os gatos e cães de raças pequenas alcançam a sua conformação adulta entre os 9 e os 12 meses, as raças de cão grandes e gigantes continuam a crescer até aos 18 a 24 meses. No caso de cães de raça, existem curvas de crescimento segundo a raça, que podem ser úteis na hora de avaliar o crescimento do animal.

 Um ponto de partida para estabelecer a quantidade a administrar ao animal pode ser o cálculo a partir de uma fórmula que estabeleça os requerimentos energéticos para o crescimento. Em seguida, podemos ver as fórmulas propostas pela FEDIAF (2013) para cães e gatos em crescimento:

Idade

Requerimento energético (kcal/dia)

Gatos

Até aos 4 meses

200 – 250 kcal/ 0,67 kg

Dos 4 aos 9 meses

175-200 kcal /0,67 kg

Dos 9 aos 12 meses

150 kcal/ 0,67kg

 












As indicações do produtor do alimento a administrar, disponíveis na embalagem, também são um bom ponto de partida, já que são igualmente baseadas em estimativas. Todavia, não devemos esquecer-nos que estes valores são apenas indicativos (pode haver variações individuais de até 50%, para cima ou para baixo) e que devemos controlar o crescimento e condição corporal de cada animal, de modo a adaptar a alimentação de acordo com esses valores.


  A nutrição durante o crescimento  

Os cães e gatos em crescimento devem alimentar-se com uma dieta específica para esse fim. Devemos, portanto, verificar nas informações do alimento a administrar se este é indicado para esta etapa da vida do nosso animal.

Os pontos-chave e mais destacados destas dietas são os seguintes:

Energia: O crescimento é uma das fases fisiológicas de maior necessidade energética. Um cão ou um gato no período de maior velocidade de crescimento têm, praticamente, o dobro das necessidades energéticas de um animal adulto.
A partir dos 6 meses, estas necessidades começam a diminuir progressivamente. Porém, não devemos confundir maiores necessidades com alimentação em excesso, como temos vindo a expor, já que, quando os animais jovens recebem excesso de energia, gera-se um crescimento demasiado rápido.
Este aumento da taxa de crescimento causa a maturação demasiado rápida do sistema músculo-esquelético e aumenta a tensão articular, favorecendo o desenvolvimento de transtornos articulares. É amplamente conhecida a relação directa entre um crescimento acelerado por excesso de consumo de energia e vários transtornos músculo-esquelético, como a displasia da anca, a osteocondrite, malformações ósseas e osteodistrofia hipertrófica, entre outras, principalmente em cães de raça grande e gigante com alguma predisposição genética.

Proteína: Como no caso da energia, os requerimentos proteicos dos animais em crescimento são maiores que os dos adultos, devido a uma maior necessidade de criação de tecidos associada ao crescimento.
Garantir uma proteína de boa qualidade, que assegure os aportes de aminoácidos essenciais necessários, é fundamental durante o crescimento. Demonstrou-se que o consumo insuficiente de proteínas tem efeitos nocivos sobre o crescimento, limitando-o de um modo considerável.

Cálcio e fósforo: Os alimentos para cães e gatos em crescimento devem incluir cálcio e fósforo, mas não em excesso. Para um desenvolvimento óptimo, a ingestão de cálcio e fósforo devem vigiar-se com algum cuidado, particularmente no caso de cachorros de raças grandes e gigantes. Os animais jovens têm altas necessidades de cálcio, para mineralizar a cartilagem recém-formada.
Porém, um consumo inadequado destes elementos pode danificar o crescimento esquelético e levar a um aumento do risco de aparecimento de transtornos no crescimento.
Um excesso de cálcio na dieta gera hipercalcémia, que intervém de forma directa na patogenia de inúmeros transtornos osteodistróficos, como a osteocondrose, a síndrome de rádio curvo e a síndrome da instabilidade das vértebras cervicais.
Do mesmo modo, a carência em cálcio também induz alterações no desenvolvimento e é responsável pelo hiperparatiroidismo secundário, que provoca uma desmineralização óssea e que leva a que os ossos longos e a pélvis se deformem e/ou fracturem.

Ácidos gordos de cadeia longa: Os ácidos gordos de cadeia longa Ómega-3 e Ómega-6 são essenciais para o desenvolvimento neurológico dos cães e gatos em crescimento.
Paralelamente, a inclusão de ácidos gordos como o DHA (de síntese limitada no cão e no gato) favorece o correcto desenvolvimento da retina durante o crescimento. Um alimento de qualidade, formulado especificamente para um crescimento adequado, tem em conta, entre outros, todos estes factores, para garantir um equilíbrio nutricional que evite carências e excessos que, nos animais em crescimento, têm consequências particularmente graves.
Por tudo isto, a suplementação com outros produtos que aumentem alguns dos nutrientes (suplementos de cálcio, proteína,) está especialmente desaconselhada, já que vai desequilibrar a ração, podendo provocar graves problemas no animal.
 

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