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Dor no cavalo

Como evitar que o seu animal sofra?


Detectar a dor

A espécie equina possui um sistema de expressão da dor particularmente subtil. Este atributo permite-lhe não se expor demasiado aos predadores, revelando um eventual estado de fraqueza.

Esta característica é mesmo levada ao extremo na espécie asinina em que se pode mesmo falar de uma verdadeira resiliência (estoicismo), traduzida por uma dor muda na sua expressão. Se estes elementos são úteis à espécie para garantir a sua sobrevivência na natureza, podem igualmente representar uma dificuldade real para os cavaleiros, para os proprietários e todos os envolvidos no meio equino, pelo que é crucial detectar precocemente qualquer degradação no estado de saúde do cavalo.

Entre estes sinais de alerta, dever-se-á ter particular atenção a qualquer alteração de comportamento do animal (rejeição de interacções com pessoas ou com outros animais da sua espécie, triagem do alimento…), qualquer alteração facial (olhar fixo, narinas dilatadas, orelhas descaídas…), se dormem ou rebolam em excesso. Uma simples modificação no porte ou nos movimentos da cauda podem ser sinal de um fenómeno doloroso em evolução, do mesmo modo que um simples bocejo pode ser o prenúncio do desenvolvimento de úlceras gástricas.cavalo_dor casco.jpg

Em caso de dúvida, será necessário efectuar exames para avaliação de parâmetros físicos quantificáveis reveladores de certas modificações vegetativas imputáveis à presença de dor: frequência cardíaca modificada, sudação, taquipneia (respiração acelerada e superficial), alteração na ingestão de alimentos…


Consequências importantes

Se, no início, a dor é um formidável sinal de alerta, permitindo ao organismo reagir adequadamente a uma agressão (física, química ou infeciosa), a mesma não deverá persistir de um modo excessivo sob o risco de se tornar um factor agravante do dano original. Além da alteração óbvia no desempenho do animal, as consequências de uma dor não controlada podem ser variadas:

  • Infecciosas: o aumento do cortisol (hormona) circulante associado ao stress prolongado pode causar uma diminuição da eficiência do sistema imunitário e, assim, facilitar o aparecimento de patologias.
  • Gastrointestinais: a anorexia e/ou qualquer alteração na ingestão de água pode resultar em oclusão intestinal, úlceras e, por conseguinte, no aparecimento de cólicas.
  • Metabólicas: o aumento do catabolismo (degradação) proteico associado a uma disfunção gastrointestinal e uma anorexia mais ou menos importante, adiará inevitavelmente a cura do animal.
  • Cardiovasculares: uma frequência cardíaca anormalmente elevada associada a uma vasoconstrição (redução do diâmetro dos vasos sanguíneos), pode conduzir ao agravamento das anomalias cardíacas e da hipertensão arterial.
  • Respiratórios: a presença de uma frequência respiratória elevada associada a movimentos respiratórios reduzidos em amplitude, pode levar ao desenvolvimento de patologias pulmonares por retenção de secreções e hipoxemia (diminuição do oxigénio transportado pelo sangue).

A fim de limitar estes riscos, deve ser definida uma estratégia adequada de gestão da dor, o mais cedo possível.


Uma gestão multimodal

Após a avaliação completa do estado do animal pelo médico veterinário, será então oportuno implementar a estratégia adequada ao nível da dor identificada. A primeira das soluções e a mais eficaz será remover (sempre que seja possível) pura e simplesmente a origem da dor através da organização da boxe, repouso, alteração dos arreios …

Em termos de gestão medicamentosa, é frequente recorrer-se a agentes anti-inflamatórios, quer sejam esteroides, conhecidos por glucocorticoides (GC) ou não esteroides, falando-se então da família dos AINE. A utilização de qualquer molécula destas duas famílias de anti-inflamatórios deverá ser feita com base nas suas propriedades, pois se todas são analgésicos, algumas serão apenas anti trombóticas, antipiréticas… Além do mais, não se deve negligenciar o tempo de eliminação destas moléculas quando prescritas a animais de desporto, pois é possível a sua detecção nas análises sanguíneas vários meses após a sua administração. De qualquer modo, a escolha de qualquer uma destas moléculas não deverá ser banal e não é recomendado aconselhar a terceiros o uso de um produto que foi prescrito especificamente para o seu animal.

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É essencial estar atento à dor dos seus equídeos e adoptar a solução adequada. Peça sempre conselho ao seu médico veterinário pois o alívio da dor não é suficiente; sem um diagnóstico, corre-se o risco de um agravamento significativo da patologia inicial.

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